Carta aberta sobre o encerramento de um projeto ou o pedido para que alguém o pegue pela mão

Por Maria Carolina Machado em 23 de novembro de 2017

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O MAMU – mapa de coletivos de mulheres – foi criado em 2014 e é um projeto de mapeamento de coletivos, organizações, movimentos, grupos e projetos brasileiros que tem como foco as mulheres, o feminino, o feminismo, nossos ciclos, reivindicações e lugares na sociedade. Os perfis dos coletivos também são os mais variados e abrangem uma gama de temas e demandas. A missão do MAMU sempre foi dar visibilidade a esses espaços, valorizá-los, facilitar o acesso do público que os procurasse, fomentar redes, discussões, propor parcerias e oferecer oportunidades de se reconhecerem nesse contexto.

A inspiração para a realização desse projeto passou por discussões estabelecidas em debates, rodas de conversa, oficinas e acesso constante a conteúdos criados sobre o feminismo e o feminino. Nesses encontros, questões sobre a representatividade das mulheres, sua valorização e como estas protagonizavam as suas histórias, me fizeram pensar quem elas eram, como organizavam-se e divulgavam seus projetos. A partir dessas indagações comecei a fazer o mapeamento. Atualmente, o MAMU tem o registro de mais de 200 coletivos e ações espalhadas por todo o Brasil. Alguns têm um histórico de mais de 20 anos, e muitos outros são formações recentes. Diversas matérias foram feitas pela mídia para falar sobre o mapa. A potencialidade dessa ferramenta sempre foi destacada. Importante também citar que o MAMU é desenvolvido em software livre, utilizando WordPress, OpenStreetMap e customização do tema JEO. O projeto parte da premissa de que sistemas de mapeamento devem trabalhar em um esquema de federação e descentralização de dados.

O processo de marcação no mapa sempre foi feita de forma artesanal e por uma única pessoa (eu), o que tornava tudo muito lento. Como era urgente ver esse mapa no ar, vivo e aberto, não quis depender do tempo de formalização de parcerias e de outros aportes para que o mapa fosse lançado. Assim como o mapeamento era constante, a plataforma também previa atualizações para a melhoria das suas funções, apresentação de dados e inclusão de ferramentas. A meta não era ficar só na visualização de pontos. A proposta era que o MAMU, em paralelo ao mapeamento, criasse campanhas de sensibilização e articulações variadas entre os coletivos, fomentando redes de solidariedade e desenvolvimento de projetos.

Com o mapeamento acontecendo a pleno vapor, o desejo era agregar pessoas e projetos que contribuíssem para que o processo de pesquisa, mapeamento e inclusão fossem mais rápidos e eficazes, além de partir para ações e articulações mais efetivas e consistentes entre os coletivos.
Toda essa configuração demandava apoio e o incentivo de grupos e instituições. Algumas parcerias foram firmadas e pessoas interessaram-se. Porém, o engajamento em atividades foi muito específico e ficou datado.

Há um ano e meio não consigo mais fazer as marcações. Tenho o correio eletrônico lotado de mensagens de inclusão de coletivos no mapa, além de solicitações de pesquisas, entrevistas e até pedidos de socorro. Parte dessa incapacidade, vem de outros tempos e ritmos trazidos pela maternidade. Outros quereres e prioridades estabeleceram-se. Entretanto, o motivo essencial é que não é mais possível fazer esse projeto acontecer sozinha. Eu realmente não consigo mais tocar o MAMU e mais do que nunca a base que sustenta esse projeto – o coletivo – deve ser acionada.

Diante de todo esse contexto e da potência que essa ferramenta é para o fortalecimento das causas e lutas das mulheres, de quem somos e do que acreditamos, seria lamentável ver o MAMU simplesmente acabar. O objetivo dessas carta aberta não é só sensibilizar, mas fazer um pedido, um chamado real e concreto para quem tiver o interesse de gerir, administrar, cuidar, reerguer, pegar pela mão esse projeto. Gostaria que esse mapa continuasse a fazer valer a sua proposta mais essencial – ser dinâmico, aberto e vivo, pronto para incluir cada coletivo de mulheres, cada projeto formado e encontrado.

Se você, mulher, representante ou não de algum coletivo ou entidade, se interessou por essa ferramenta de mapeamento, por esse histórico e que defenda essa causa, peço que entre em contato comigo (por aqui ou por email). Nessa conversa, darei todos os detalhes do MAMU e o que seria necessário para fazer essa transferência de gestão e atuação.

Infelizmente, por hora, as marcações no mapa estão encerradas. Os emails para cadastro e outras demandas, não serão respondidos. Tomara que dê tudo certo. Sigamos!

Maria Carolina Machado
criadora do MAMU – mapa de coletivos de mulheres.

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