O Coletivo Marti Vive! nasce em 2015 com o intuito de reunir companheiras latinoamericanas e caribenhas da Universidade federal da integração latino-americana para discutir pautas relacionadas à nossa situação de mulheres dentro de uma sociedade patriarcal, que nos deixa vulneráveis a viver situações de violência e injustiça propiciada por um sistema que incentiva tais agressões. Nós entendemos que é sumamente importante discutir sobre as conseqüências de ser mulher em uma sociedade que privilegia o homem, incentivada por um sistema ao qual estamos submetidas e em que a educação determina o modo para tornar-se um ser socialmente feminino. Assim, entendemos que isso se traduziria a um comportamento omisso, pois coloca a mulher como delicada, provida de um instinto de cuidado maternal, sujeita a permanecer na esfera privada que para cuidar do lar, das crianças e do homem.

Quando essa absorção involuntária de um discurso que molda a maneira como as mulheres devem se comportar, se vestir e se apresentar, entende-se que serve para a manutenção e preservação de mecanismos sociais de hierarquização dos gêneros. É por baixo deste sistema que se manifestam disposições sexistas, pois institui que mulheres estariam aptas a exercer determinados comportamentos e sentimentos, sempre em detrimento ao outro, neste caso, ao homem. Por este motivo, o corpo feminino não é um corpo livre, está sempre submetido a uma vigília que o diminui, violenta e idealiza, para que caiba em um padrão que é determinado pelo outro.

O coletivo feminista surge na UNILA pela necessidade de combater o machismo na esfera universitária. Como universitárias, mulheres, compreendemos nosso protagonismo nessa luta, ao mesmo tempo em que tal condição configura e delimita bem nossa posição na hora de falar, permitindo que nos apoiemos e articulemos com outros coletivos de ações dentro e fora da universidade que combatem também o patriarcado, o racismo, a homofobia, a lesbofobia, a bifobia, a transfobia e a xenofobia.

Nosso encontro se deu para apoiar estudantes vítimas de abuso, o que nos fez perceber a falta de organização quanto a ações que realizem propostas a favor da mulher dentro da universidade. Surgiram, a partir daí, demandas por produção de materiais, realização de oficinas, grupos de estudos e rodas de conversa que nos unem e empoderam e continuaram fazendo cada vez mais, afinal, nós todas, mulheres, compartilhamos o que é sofrer com o machismo, e mais ainda, queremos não reproduzi-lo, de maneira que a coletividade também é fundamental para a desconstrução e a maior sororidade.

Propusemos o nome Marti vive! para o grupo porque acreditamos que Martina Piazza Conde, estudante da unila assassinada em 2014 num ato de violência de gênero, nos representou e representa com sua luta constante contra o machismo. Desde sua chegada em Foz do Iguaçu, em 2011, colaborou de maneira significativa, nos âmbitos de luta, às mulheres. Pessoa de forte personalidade, diversão, riso fácil, sorriso sincero, ela dançava ao som dos tambores, buscou ajudar a amigas e amigos, porque com eles construiu uma família. Martina vive nos corações de todas as pessoas que a conheciam e segue dançando neles. Seu caso não será esquecido, ela não será esquecida! Colocar seu nome no coletivo tem o objetivo de homenageá-la, mas também de, através de sua história poder manter a discussão sobre machismo e patriarcado, e combater esse mal que fere e mata tantas mulheres todos os dias, dentro e fora da universidade.

Por uma UNILA sem machismo!

 

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Endereço web: https://www.facebook.com/Coletivo-Marti-Vive-1478644409120935/?fref=ts

Endereço: Av. Tancredo Neves – Região Norte, Foz do Iguaçu – Paraná, Universidade Federal da Integração Latino-Americana

Email: lugardasmina@gmail.com

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